O tempo é, talvez, o único personagem presente em toda história humana.
Ele não tem rosto, mas transforma tudo. Muda a forma como sentimos, como
lembramos, como amamos e até como nos perdemos de nós mesmos. Pode ser
abrigo e ferida, passagem e permanência, aliado e, tantas vezes, o mais
inevitável dos confrontos.
Desde que comecei a escrever, o tempo sempre encontrou um lugar nas minhas
histórias. Às vezes de forma explícita, quase como presença viva, como em
O Tempo Entre Nós. Em outras, aparece de maneira mais silenciosa —
na memória que insiste, na ausência que permanece, no passado que acompanha
os personagens e no futuro que os inquieta.
"O tempo não volta. Mas também não apaga. Aquilo que realmente importa
permanece — não como era, mas como foi sentido."
Escrever sobre o tempo, para mim, é uma forma de me aproximar dele com
mais verdade. De compreender que somos seres atravessados pela passagem,
pela mudança e pela finitude — e que é justamente isso que torna a
experiência humana tão profunda, tão frágil e tão preciosa.
Quando coloco um personagem diante da possibilidade de rever uma perda,
desfazer uma ruptura ou reencontrar alguém que o tempo levou, estou, no
fundo, escrevendo sobre um desejo muito humano: o de tocar novamente aquilo
que nos marcou, o de dizer o que ficou por dizer, o de viver o que, por
algum motivo, não pôde ser vivido.
Talvez seja essa uma das forças mais belas da literatura: criar um espaço
onde o tempo se dobra. Um espaço onde o impossível pode respirar por alguns
instantes e onde o leitor, por meio da história, consegue finalmente ir ao
encontro daquilo que o coração nunca deixou para trás.