Sergiana Helmer Em Destaque
10 de março de 2025 5 min de leitura

O silêncio que precede uma história

Toda grande história começa com um silêncio. Não o silêncio do vazio, mas aquele que pulsa — cheio de imagens, vozes e possibilidades que ainda não encontraram forma. É nesse espaço entre o nada e o tudo que a escrita começa a respirar...

Ler artigo completo
10 de março de 2025 5 min de leitura

O silêncio que precede uma história

Toda grande história começa com um silêncio. Não o silêncio do vazio, mas aquele que pulsa — cheio de imagens, vozes e possibilidades que ainda não encontraram forma. É nesse espaço entre o nada e o tudo que a escrita começa a respirar.

Aprendi cedo que não existe história sem espera. As palavras que realmente importam não surgem quando corremos atrás delas. Elas chegam quando paramos. Quando respiramos. Quando, enfim, nos permitimos não saber o que vem depois.

"O silêncio não é ausência de história. É o lugar onde a história aguarda para ser encontrada."

Escrever ficção científica com profundidade emocional exige justamente isso: a coragem de habitar o desconhecido. De se sentar diante do universo infinito — literal ou metafórico — e permitir que ele revele aquilo que ainda não sabemos sobre o mundo, sobre a história e sobre nós mesmos.

Cada novo projeto começa assim: com dias de silêncio que parecem estéreis, mas que, na verdade, estão preparando o terreno de onde a história vai nascer. Esse é o trabalho invisível da escrita — e, muitas vezes, o mais essencial de todos.

Se você também cria — com palavras, imagens ou sons — permita-se esse silêncio. Ele não é ausência, atraso ou bloqueio. Ele é o começo. É o lugar onde tudo, em algum momento, começa a existir.

28 de janeiro de 2025 4 min de leitura

A Última Fronteira chegou ao mundo

Escrever A Última Fronteira foi, para mim, como atravessar o espaço sideral por dentro de mim mesma. Cada capítulo, cada detalhe da Valiant e de sua tripulação nasceu do meu desejo de explorar não apenas os limites da imaginação, mas também os da própria humanidade.

Sempre acreditei que a ficção não fala apenas sobre o que existe lá fora, no desconhecido, nas estrelas ou além do que podemos alcançar. Ela também fala, e talvez principalmente, sobre aquilo que existe aqui dentro: nossos medos, nossa coragem, nossas escolhas, nossas dúvidas e a força que encontramos quando seguimos adiante mesmo sem garantias.

Essa história carrega reflexões sobre coragem, alianças improváveis, decisões que nos transformam e o poder da curiosidade — essa centelha tão humana que nos impulsiona a ir além, mesmo quando não sabemos exatamente o que vamos encontrar.

Em tempos em que a realidade, tantas vezes, parece nos limitar ou assustar, acredito profundamente no papel da literatura como portal. Escrever este livro foi abrir uma passagem para o desconhecido, mas também para o reencontro com aquilo que nos torna mais humanos.

Espero que A Última Fronteira tenha sido, para você, mais do que uma jornada pelo cosmos. Espero que tenha sido também um espaço de reflexão, imaginação e descoberta — uma espécie de nave segura para sonhar, sentir e, quem sabe, reencontrar dentro de si a coragem de desbravar o desconhecido, seja ele no universo ou na própria alma.

5 de dezembro de 2024 6 min de leitura

Por que escrevo sobre o tempo?

O tempo é, talvez, o único personagem presente em toda história humana. Ele não tem rosto, mas transforma tudo. Muda a forma como sentimos, como lembramos, como amamos e até como nos perdemos de nós mesmos. Pode ser abrigo e ferida, passagem e permanência, aliado e, tantas vezes, o mais inevitável dos confrontos.

Desde que comecei a escrever, o tempo sempre encontrou um lugar nas minhas histórias. Às vezes de forma explícita, quase como presença viva, como em O Tempo Entre Nós. Em outras, aparece de maneira mais silenciosa — na memória que insiste, na ausência que permanece, no passado que acompanha os personagens e no futuro que os inquieta.

"O tempo não volta. Mas também não apaga. Aquilo que realmente importa permanece — não como era, mas como foi sentido."

Escrever sobre o tempo, para mim, é uma forma de me aproximar dele com mais verdade. De compreender que somos seres atravessados pela passagem, pela mudança e pela finitude — e que é justamente isso que torna a experiência humana tão profunda, tão frágil e tão preciosa.

Quando coloco um personagem diante da possibilidade de rever uma perda, desfazer uma ruptura ou reencontrar alguém que o tempo levou, estou, no fundo, escrevendo sobre um desejo muito humano: o de tocar novamente aquilo que nos marcou, o de dizer o que ficou por dizer, o de viver o que, por algum motivo, não pôde ser vivido.

Talvez seja essa uma das forças mais belas da literatura: criar um espaço onde o tempo se dobra. Um espaço onde o impossível pode respirar por alguns instantes e onde o leitor, por meio da história, consegue finalmente ir ao encontro daquilo que o coração nunca deixou para trás.

18 de outubro de 2024 5 min de leitura

Como nasce um personagem: o processo por dentro

Uma das perguntas que mais recebo é: como nascem os meus personagens? E a resposta mais verdadeira que posso dar é que eles não surgem como algo que eu simplesmente invento. Eles aparecem.

Às vezes chegam como uma voz que se insinua no meio do silêncio. Outras vezes, como uma imagem que persiste, um olhar que não me abandona, uma presença que começa a existir antes mesmo de eu compreendê-la por inteiro. Há personagens que nascem de uma frase inesperada, de uma emoção muito específica ou de uma inquietação que, aos poucos, ganha rosto, memória, desejo e dor.

"Um personagem verdadeiramente vivo não é aquele que obedece ao autor, mas aquele que o surpreende — que escapa do controle e, ainda assim, revela exatamente quem precisava ser."

Meu processo quase nunca começa pelos acontecimentos. Antes de pensar no que um personagem faz, eu preciso entender o que ele sente. Pergunto a mim mesma do que ele tem medo, o que ele tenta esconder, o que deseja com toda a alma e por que, apesar disso, ainda não consegue alcançar aquilo que procura.

É nesse espaço entre o desejo e a impossibilidade que o personagem começa a ganhar vida. É ali que ele deixa de ser apenas uma ideia e passa a existir com verdade, contradição, fragilidade e força. E, quase sempre, é nesse mesmo ponto que a história também começa a respirar.

Acredito que personagens não se constroem apenas com ações, mas com camadas emocionais. São os sentimentos, os conflitos internos, as ausências e as marcas invisíveis que tornam alguém inesquecível na página.

Se você também escreve e sente que seus personagens ainda estão planos, talvez o caminho não seja perguntar primeiro o que eles fazem, mas o que carregam por dentro. Porque, no fim, as ações nascem dos sentimentos — e é isso que lhes dá verdade.

Fique por dentro de tudo

Inscreva-se e receba as novidades, bastidores e lançamentos diretamente no seu e-mail.